Como evitar descolamentos e rachaduras no seu violino

Texto por: Ale Cunha.

Sabemos quase que por instinto, que não devemos expor nossos instrumentos ao frio ou calor intensos. Entretanto, nem sempre temos os mesmos cuidados em relação à umidade relativa do ar, que deve ser monitorada e mantida dentro da faixa de segurança, entre 40% e 60%.

Via de regra, os invernos são secos e os verões úmidos, agravados por questões de natureza geográfica, como, por exemplo, áreas próximas da praia, de mata ou regiões com características análogas às do deserto, como o Distrito Federal.

A tendência da madeira é contrair no frio/seco, com risco de trincar e dilatar no calor/úmido, ocasionando descolamentos e deformações. A alternância brusca de temperatura e umidade aumenta sobremaneira o risco de acidentes.

A informação sobre a umidade relativa está disponível nos celulares, podendo também ser conferida em um higrômetro – instrumento analógico que equipa alguns modelos de estojo. Poderá ser percebida também por alguns sinais corporais, como a sensação de olhos e nariz ressecados, pés rachados etc., ou, ainda, quando sentimos o excesso de umidade.

Nesses casos é recomendável adotar as seguintes medidas preventivas:

Quando o tempo está seco:

1.1 Existe no mercado um pequeno dispositivo que consiste em um tubinho de plástico de mais ou menos 1 cm de largura por 5 cm de altura, cheio de pequenos furos e recheado com lã de vidro. Uma vez cheio de água, ela irá evaporar lentamente restabelecendo a umidade correta dentro do estojo;

1.2 Uma alternativa caseira igualmente efetiva é encharcar um paninho, torcê-lo para retirar o excesso de água e mantê-lo dentro do estojo, com cuidado, para evitar o contato com o violino. A desvantagem desse método em relação ao anterior é a necessidade de conferir e repetir o processo diversas vezes, enquanto que o tubinho, depois de abastecido, pode ser esquecido por um bom tempo;

1.3 Em casos mais extremos, como o da umidade do ar típica de cidades como Brasília, deve-se considerar a possibilidade de utilizar um umidificador/vaporizador – existem modelos bem acessíveis – a fim de controlar a umidade de um determinado cômodo da casa, do local de estudo ou de descanso do violino. Alternativamente, uma bacia ou balde com água produzirão resultado semelhante.

Quando o tempo está úmido:

2.1 saquinhos de sílica, daqueles usados para manter alimentos e medicamentos secos, são excelentes para reduzir a umidade dentro do estojo.

2.2 em locais muito úmidos, é uma boa pedida deixar o instrumento fora do estojo algumas horas por dia e, se possível, investir num desumidificador. É comum e triste ao mesmo tempo encontrar instrumentos guardados por poucos anos, que desenvolveram algum tipo de bolor.

A cola utilizada na construção do violino é chamada de cola de nervos, o apelido se deve à sua origem animal, sendo que sua principal característica é a de ser uma cola que se torna novamente flexível, quando em contato com calor e umidade. Em certos casos de secura intensa, pode tornar-se quebradiça. Esse comportamento é desejável na medida em que, ao longo da vida do instrumento, ele precisará eventualmente ser aberto para algum reparo, substituição de barra harmônica cansada, troca de alguma contra faixa e etc.

Portanto, é relativamente comum que nossos instrumentos descolem, logo, não há motivo para pânico. Contudo, o reparo deve ser realizado o quanto antes para evitar que o suor penetre pela abertura, interferindo na capacidade adesiva da cola, tornando o restauro bem mais complicado.

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